Livros Recomendados: Narrativas

   


Dando seguimento na ideia de organizar uma lista de Livros Recomendados de Administração por temas, agora temos nossa lista sobre Narrativas de Casos Reais:

1) Vencedoras por Opção (2012) - Jim Collins
Famoso por seus estudos no campo da Estratégia, na busca incansável por entender porque certas empresas perceveram e tem sucesso e outras não, escreveu uma série de livros consequências de seus estudos: Feitas para Durar (1995), Empresas feitas para Vencer (2002), Como as Gigantes Caem (2010) e mais recentemente, Vencedoras por Opção (2012). A razão de estar na lista de Narrativas/Casos Reais está no fato de Collins utilizar, como paralelo para explicar seus conceitos e descobertas, a história real da Conquista do Pólo Sul no início do séc.XX, quando os exploradores Roald Amundsen (sueco) e Robert Scott (inglês), disputaram quem chegaria primeiro. Amundsen saiu vitorioso e voltou com sua equipe intácta. Scott e toda sua equipe morreram na tentativa de chegar ao extremo sul do planeta. A história da preparação e execução comparada de ambas equipes é fascinante.

2) O Estalo de Napoleão (2005) - William Duggan
O historiador William Duggan usa o caso de Napoleão e de outros personagens reais para mostrar como um planejamento e uma execução na 'linha-de-frete' fez diferença em momentos importantes de nossa História. São casos independentes, apesar de interligados em seus conceitos e resultados.


3) A Hora da Verdade (1985) - Jan Carlzon
Um clássico dos anos 80. É a autobiografia do sueco Jan Carlzon que à frente da SAS - Scandinavian Airlines - transformou uma empresa aérea mediocre em referência no ramo da aviação comercial a seu tempo. Carlzon narra sua experiência desde sua primeira posição de gestor até CEO do grupo apoiando sua estratégia em algo inovador na época: dando poder ao pessoal de linha-de-frente para decidir na 'hora da verdade' da interação com problemas dos clientes/passageiros.

Um caso similar ao de Hora da Verdade, o indiano Vineet Nayar conta sua história ao conduzir o turnarround de uma das maiores empresas de TI terceirizada do mundo, a HCLT, transformando-a de deficitária a referência, baseando sua estratégia também em dar poder aos funcionários da linha-de-frente. Por isso o título, 'Primeiro os Colaboradores, Depois os Clientes'.

5) Só os Paranóicos Sobrevivem (1996) - Andrew Grove
Co-fundador e ex-CEO da Intel, o imigrante húngaro András Gróf (americanizado 'Andrew Grove') comandou a empresa em sua maior revira-volta que mudou também a industria de TI: a mudança de Chips de Memória - que estava virando commodity - para microprocessadores ("Intel inside"!), base da explosão do mercado de Computadores Pessoais. Grove conta como conduziu uma mudança tão drástica e ousada em um momento que a empresa era líder de um mercado estável (memória) para se arriscar a liderar a mundança para o mercado promissor mas incerto. Grove era 'paranóico' por identificar mudanças latentes no mercado. É um típico caso inverso ao da Kodak, que propositalmente negou-se liderar o mercado fotográfico para o digital, a despeito de ter inventado a foto digital, apenas porque temia perder liderança e lucros do mercado da fotografia em papel no curto prazo.

6) Nunca Faça a Primeira Oferta (2009) - Donald Dell
Mestre da Negociação, Donald Dell fez carreira agenciando atletas de renome mundial. No livro não apenas ensina suas técnicas de Negociação, como narra suas histórias no mundo dos Esportes negociando patrocínios e direitos de imagem de esportistas famosos. Cada história é usada como exemplo para cada dica ou conceito que Dell defende.

Relembro que essa lista absolutamente não é definitiva nem esgota o tema.
E que esses títulos são apenas os melhores dentre os que eu tive oportunidade de ler. Sei da existência e relevância de outros tantos títulos até melhores, mas dos que andei lendo, posso recomendar esses.

Irei atualizar a lista sempre que me deparar com algum livro que mereça figurar nela.
A lista atualizada estará sempre em [ Recomendados ].

- E você? 
Concorda com a lista?
Tem algum bom título para sugerir, compartilhar?

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HSM Expo 2016: 7 a 9/Nov

   

Nesse mês, de 7 a 9/novembro, mais uma vez ocorre em São Paulo, no ExpoTransamérica, a HSM Expo 2016, maior evento de Gestão da América Latina - anteriormente chamada de ExpoManagement - agora em novo formato, grade mais flexível, customizável de acordo com os campos de interesse dos inscritos.

Como já viemos fazendo desde 2010, faremos cobertura das palestras internacionais do auditório principal, ao vivo, em tweetstorm pelo @AndreVarga direto do evento.

Confira um pouco das idéias de alguns dos principais Palestrantes, já publicadas anteriormente aqui no blog:

. Jim Collins - Vencedoras por Opção
. Martin Reeves - Sua Estratégia precisa de uma Estratégia
. Roger Martin - Jogar para Vencer
. Tim Leberecht - Romantize seus Negócios
. Tom Peters - Em Busca da Excelência 

Veja como foram as edições anteriores aqui.

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Vencendo a Crise - Tom Peters

   

Título: Vencendo a Crise
Autor: Tom Peters & Robert Waterman
Tradução de: In Search of Excelence
Editora:  Harper Row
Ano: 1982
Páginas: 392

O maior inimigo da Inovação é o Incrementalismo, a Melhoria Contínua.

Com essa afirmação polêmica, ainda mais no contexto dos anos 80, auge da Melhoria Contínua, Kaizen e outros conceitos de desenvolvimento com pequenas mas constantes melhorias, Thomas (Tom) Peters defendeu sua definição de Excelência.

Mais um livro na categoria vintage - um clássico da Administração dos anos 80 - com conceitos hoje básicos, mas que à época de seu lançamento, trouxeram um novo olhar sobre Inovação e Melhoria nas Empresas. A notoriedade de Peters e de seu livro não foi instantânea, mas foi crescendo a ponto de se considerar leitura obrigatória na década seguinte.

Tom Peters está entre os considerados grandes Pensadores da Administração e dos Negócios e sua contribuição para o conhecimento da Gestão é inegável.

A busca pela excelência e sucesso está em todas as organizações e empresas. Querer saber porque algumas organizações conseguem e outras não, para adotar as melhores práticas e processos já vem de longa data. Tom Peters foi um dos primeiros a formular conceitos derivados de sua busca como pesquisador. Outros seguiram nessa jornada, dentres eles James (Jim) Collins é recetemente o mais notável.

Tom Peters estudou dezenas de empresas, buscando encontrar a raiz de sua Excelência e capacidade competitiva. A conclusão e a jornada desse estudo ele narrou em seu livro com seu parceiro de pesquisa Robert Waterman, In Search of Excelence  (literalmente 'Em busca da Excelência') que em português saiu editado como Vencendo a Crise, um título mais vendedor. (Leia minha crítica sobre a armadilha dos títulos de livros de negocios). Hoje muita gente questiona a metodologia ou até mesmo o rol de empresas por ele então consideradas excelentes. Mas um fato não se pode negar, Peters e Waterman trouxeram luz à pesquisa e busca das melhores práticas e se olharmos mesmo hoje, meus conceitos são válidos, aceitos e aplicáveis mais de 30 anos passados.

Segundo Peters, a falta de paixão e o comodismo da Melhoria Contínua, no médio prazo mina a Excelência por inibir a Inovação, motor da evolução dos Negócios. 


Seriam 8 os fatores-causa de Excelência nas Organizações:

1. Pró-atividade, Tentativa & Erro - incentivar a inovação:
"Preparar, fogo, apontar", ao invés do "preparar, apontar, fogo".

2. Aprender com os Clientes - eles tem mais a nos ensinar que nós a eles. Observar o mercado desde o ponto de vista do usuário/cliente final tem muito mais ensinamentos que da prancheta de projetos.

3. Independência e Empreendedorismo - colaboradores e áreas que tem liberdade para tentar, pensando como donos do negócio.

4. Gestão se aprende gerindo - novamente a ação precede a suposição.

5. Motivação traz Produtividade - mais que simplesmente bons processos.

6. Foco - sair dando tiro para tudo quanto é lado só desperdiça recursos.

7. Simplicidade - processos e organizações enxutas trazem resultado com mais agilidade.

8. Mobilidade - estruturas e processos enxutos trazem a flexibilidade para mudar quando o mercado o demandar.

Não à toa, Vencendo a Crise de Tom Peters está entre os melhores livros de negócios de todos os tempos.

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Mentoring Moderno - Randy Emelo

   
Título: Modern Mentoring
Autor: Randy Emelo
Editora: Association for Talent Development
Ano: 2015
Páginas: 224
ISBN/EAN: 9-781562-869335

A maioria das práticas de Mentoring hoje são obsoletas.

É prática comum nas organizações que membros mais experientes e seniores atuem como Mentores a membros menos experientes e de alto potencial. Isso na verdade é secular. Desde tempos remotos, mesmo nas sociedades tribais ancestrais, cabia aos mais velhos ensinar os mais novos a caçarem, pescarem, plantarem, etc. Até ai, sem novidade.

O que na verdade vem mudando nas organizações modernas é que a forma, o jeito, as práticas, as responsabilidades e os papeis da 'Mentoria' (mentoring em inglês) e pouca gente se deu conta disso.

É justamente esse o objetivo de Randy Emelo em seu livro Modern Mentoring (2015), ainda sem edição brasileira (ago/2016): esclarecer as mudanças e novos paradigmas do Mentoring Moderno.

Segundo Emelo, a maioria das práticas de Mentoring hoje são obsoletas. É razoável afirmar isso, se considerarmos o quanto as organizações, a administração e as relações humanas, profissionais ou não, mudaram nas últimas décadas. Organizações verticais, hierarquia rígida, decisões centralizadas, comando-e-controle hoje já são paradigmas em crescente desuso. As organizações modernas tem se assemelhado cada vez mais às redes sociais: organizações horizontais e em rede, hierarquia contextual e baseada na relevância, decisões colegiadas, responsabilidade compartilhada, integração e cooperação. Fica óbvio que em ambientes assim, conceitos tradicionais de Mentoring já ficam obsoletos. O Mentoring tinha o objetivo principal de desenvolver novas lideranças dentro da organização.

Hoje o Mentoring deve contemplar o desenvolvimento da inteligência total da organização: emocional, técnica e de liderança, acelerando o desenvolvimento dos colaboradores e portanto aumentando a competitividade da organização.

A visão tradicional, selecionava os Mentorados entre poucos colaboradores de alto potencial de crescimento e os fazia ter acesso direto a Mentores escolhidos entre os mais experientes e capazes de compartilhar seu conhecimento e experiência com doses de maestria. Emelo defende que todos na organização deveriam e podem ter acesso à programas de Mentoria. Isso porque hoje acessos do tipo um-para-um típicos do Mentoring tradicional, podem e são substituídos por conexões muitos-a-muitos. 

Segundo Emelo, são 5 os blocos que sustentam o Mentoring Moderno:

1. Abertura e Igualdade - aprendizado ilimitado e significativo. Para isso é necessário um ambiente aberto e acessível.

2. Diversidade - diferenças geográficas, funcionais, hierárquicas e etárias.

3. Amplitude e Flexibilidade - ninguém tem resposta para tudo. Assim uma pessoa pode ser Mentora de alguém em um assunto ou desafio, mas Mentorada por outra em outro tema.

4. Auto-direcionamento e Pessoalidade - a responsabilidade pelo processo é do Mentorado. Ele define o que quer aprender e de quem.

5. Virtual e Assíncrono - com as tecnologias de comunicações modernas, encontros pessoais, presenciais, um-a-um, já não são mais necessários. Acessos remotos virtuais e assíncronos são cada vez mais frequentes e eficientes para o Mentoring.

O maior desafio, segundo Randy Emelo é cultural, uma questão de hábito. E mudar hábitos é sempre difícil e custoso. No entanto é um caminho sem volta. As organizações que mais rápido se adaptarem às novas práticas, mais serão atrativas aos melhores talentos que por sua vez trarão vantagens competitivas ao seu negócio, esforço, causa.

O segundo desafio na visão de Emelo, já é algo que vem do Mentoring Tradicional: Confiança. Qualquer tema de Mentoring pertence ao Mentorado e não ao Mentor. O Mentor, portanto deve total e irrestrita confidencialidade ao Mentorado. Quando essa confiança é quebrada, o processo deve ser encerrado e o Mentorado deve procurar outro parceiro interno ou externo à organização para ser seu Mentor naquela atividade, tema.

Faz pensar bastante.

Para saber mais sobre as mudanças de paradigmas na Administração e Gestão, confira essa aula de Gari Hamel
Para entender melhor mudanças de Hábitos, confira o clássico O Poder do Hábito de Charles Duhigg.

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3a Edição de 'Os 100 Melhores Livros de Negócios de Todos os Tempos' traz lista atualizada

   

Segundo o site dos próprios autores, Todd Sattersten e Jack Covert, a nova edição (3a!) de 'Os 100 Melhores Livros de Negócios de Todos os Tempos' (2009), ganhou uma atualização na lista de livros, adicionando algumas obras.

Óbvio que com um título audacioso como esse ("...de todos os tempos"), atualizações seriam necessárias, cedo ou tarde. Pois bem, foram incluídos 5 livros:
(título da edição brasileira entre parêntesis, quando disponível)

1. The Gifts of Imperfection (A Coragem de Ser Imperfeito) - Brene Brown
2. Lean In (Faça Acontecer) - Sheryl Sandberg
3. The Lean Start-up (A Start-up Enxuta) - Eric Ries
4. Thinking, Fast & Slow (Rápido & Devagar) - Daniel Kahneman
5. Too Big to Fail - Andrew Sorkin


No Brasil, o livro foi editado originalmente pela Campus-Elsevier em 2009. Vamos ver se sai alguma atualização alinhada com essa 3a edição.

Curioso para ver a lista original completa? Confira a resenha aqui.


Os autores são responsáveis pelo site 800-CEO-read que, entre outras atividades, promove o seu Prêmio Anual de Melhores Livros de Negócios, bastante popular e concorrido nos Estados Unidos. Confira os ganhadores nos anos anteriores aqui. Tem muita dica boa de leitura! Super recomendo! 

Suponho que não por acaso, A Start-up Enxuta figura entre os premiados (2011).

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6 anos de Blog

   

- 6 anos!
Nessa semana nosso blog completou mais um ano no ar!

Oportunidade para agradecer por suas visitas e comentários, não apenas aqui direto no blog, mas também no Facebook e no Twitter.
Sem a colaboração dos leitores, um blog de nada vale. Um blog na verdade são os seus leitores. Por isso, muito obrigado por esses seus 6 anos!

Aproveitamos para revisitar os 10 posts mais lidos ao longo dessa jornada:

1. Síndrome de Celacanto
2. Descubra seus Pontos Fortes - Marcus Buckingham [resenha]
3. Novo Capitalismo - Michael Porter [palestra]
4. Os 5 Desafios das Equipes - Patrick Lencioni [resenha]
5. Os 100 Melhores Livros de Negócios de Todos os Tempos - Todd Sattersten & Jack Covert [resenha]
6. O Livro da Filosofia [resenha]
7. Motivação 3.0 - Daniel Pink [resenha]
8. Design Thinking - Roger Martin [palestra]
9. A Revolução Wiki - Don Tapscott [palestra]
10. O que Importa Agora - Gary Hamel [resenha]

Espero que o blog continue sendo relevante para você.
Sugestões e críticas são sempre bem vindas.
- Muito obrigado!
Abraços e $uce$$o!
:)
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Eficiência Operacional & Redução de Custos

   
É impressionante o quanto a busca por Eficiência Operacional  e Redução de Custos está em voga em todas as esferas dos empreendimentos, em especial no Brasil, dada a crise econômica que não dá sinais de retração.

O modelo de negócios e operação está mudando e certeza não voltará a ser como antes. Não se trata de um caso isolado, fortuito ou esporádico, é uma evolução, transformação sem volta que está acontecendo muito mais rapidamente que podemos imaginar. Crise é igual a oportunidade. Reflita sobre isso.

Então, se não adianta ir contra a evolução, é preciso adaptação. E rápida. Caso contrário você ou sua empresa não estarão no próximo capítulo da história. Mas, como adaptar-se? O que as pessoas e empresas estão fazendo? O que não estão fazendo?

Sair desesperadamente cortando custos à esmo para demonstrar austeridade e iniciativa diante da situação não é inteligente. Os resultados gerados não se sustentam ao longo do tempo. Então pare e olhe para as empresas que são “classe mundial” e cujos resultados são perenes: entra crise, sai crise, elas não se abalam. Por quê?

A palavra-chave é CULTURA. Uma cultura forte que busca incessantemente pela erradicação de perdas e desperdícios todos os dias, não só nos tempos de crise. Uma transformação cultural, baseada em Metodologia focada e rigorosa, ao longo do tempo torna-se um investimento.

São 7 passos, que se adequadamente seguidos e implementados por meio de capacitação e engajamento, provam ser um meio efetivo para enfrentar os momentos de incerteza: uma jornada à Perda Zero e perenidade de resultados. São eles:

1. Perdas vs Desperdícios - é mandatório saber o que são perdas e desperdícios e qual a relação entre ambos. Possuir um vocabulário rico para descrever precisamente como seu empreendimento perde os recursos caros, escassos e limitados que possui;

2. Indicadores - é de fundamental importância possuir os indicadores de processo corretos que geram uma linguagem operacional uniforme, permitindo leitura tempestiva, comparações e foco em perdas;

3. Linguagem - é necessário transformar a linguagem operacional em linguagem de negócios. Transformar adequadamente as perdas em custo;

4. Causas-raízes - é preciso, primeiramente, atacar de maneira sistemática os problemas simples e erradicar suas causas-raízes para que nunca mais voltem a ocorrer;

5. Problemas Complexos - igualmente, torna-se necessário atacar os problemas complexos e erradicá-los;

6. Prevenção - perdas devem ser prevenidas por meio de ferramentas de replicação, auditoria e gestão da rotina;

7. Treinamento - finalmente, é fundamental possuir um sistema que sedimente a cultura, com objetivos, estratégias e passos muito bem definidos e claros.

Sem uma Metodologia clara, apenas por acaso pode-se chegar a uma Eficiência Operacional e Redução de Custos duradoura.

Saiba mais sobre o tema e o autor.
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Livros de Negócios: a Armadilha dos Títulos

   

Já reparou quantos livros de Administração ou Negócios, pelo título, parecem ou soam como (a tenebrosa!) auto-ajuda? Pois é.

Esse é um grave e silencioso problema que assola o editorial de Administração e Negócios na indústria de livros: os Títulos (originais ou traduzidos).

Não é um fenômeno exclusivo nosso, brasileiro, mas ao menos aqui no Brasil tem uma explicação clara: Auto-ajuda vende muito mais que Administração. Até porque no Brasil tem mais gente "mal" de vida querendo ajuda milagrosa que gente querendo trabalhar, empreender ou resolver problemas com metodologia ou embasamento científico. Não é meu objetivo aqui discutir esse lado socio-cultural nosso, mas é um fato.

Outro fator é que a carreira de Administração aqui no Brasil caiu em desprestígio nos anos 1940. E não por uma questão de mercado - baixa demanda de estudantes pela carreira - mas por imposição governamental, a tal lei 7.988 de 1945 que extinguiu os cursos de Administração nas universidades brasileiras (exceto Administração Pública). O curso de 'Adm' foi voltar apenas nos idos dos anos 1970 (para minha sorte!). Nesse ínterim, as vagas de Administrador nas Empresas acabaram sendo supridas por Engenheiros e Economistas principalmente. 
(Para saber mais sobre esse pitoresco episódio do ensino nacional veja as considerações do prof. Stephen Kanitz aqui). 
Logo, sem um curso universitário que despertasse interesse por essa categoria de livros por 30 anos, eles se perderam entre os de Economia e os de (argh!) Auto-ajuda, ao gosto do livreiro.   

Enfim, a soma desses dois fatores fazem no Brasil com que livros de Administração e principalmente os de Gestão de Pessoas ou que tratem de estudos sobre Desenvolvimento ou Comportamento Pessoal acabem parecendo livros de Auto-ajuda por causa de seus títulos muito 'vendedores'.

Veja se esses títulos não parecem auto-ajuda:
Vai Fundo! (Vaynerchuk), A Arte de Fazer Acontecer (Allen), Vencendo a Crise (Peters & Waterman), Vencedoras por Opção (Collins), Só os Paranóicos Sobrevivem (Groove),  Saia da Crise (Deming), Descubra seus Pontos Fortes (Buckingham), A Arte do Começo (Kawasaki), Ideias que Colam (Heath), O Ponto da Virada (Gladwell), Poder (Pfeffer), De Onde vem as Boas Ideias (Johnson), O Poder do Hábito (Duhigg), Jogar para Vencer (Lafley & Martin) ou Dar e Receber (Grant) ?

Pois é. Mas são todos excelentes livros de Gestão/Negócios.

Outros são vítimas da tradução.
Veja alguns exemplos de traduções que tiveram seus títulos "auto-ajudados" (perdão o trocadilho):

. Drive (Dan Pink, 2009) - algo como "Guia, Condução" virou Motivação 3.0
. True North (Bill George, 2007) - "Norte Verdadeiro" virou Autenticidade.
. Decisive (Dan & Chip Heath, 2014) - "Decisivo" virou Gente que Resolve.
. The Thank you Economy (Gary Vaynerchuk, 2011) - "A Economia da Gratidão" virou simplesmente Gratidão, mudando o contexto.
. Riv Piramiderna (Jan Carlzon, 1986) - "Inverta a Pirâmide" no original sueco, virou Moments of Truth (Momentos de Verdade) em inglês, e logo virou A Hora da Verdade em português. OK, não vamos pegar tanto no pé, nesse caso o título em inglês os induziu.

Tudo bem que muitas vezes o título precisa ser mudado porque simplesmente traduzindo-o diretamente não tenha tanto significado ou vínculo com o conteúdo do livro. Mas às vezes rola um exagero desnecessário na criatividade.

Portanto cuidado para não descartar um bom livro de Gestão apenas pelo título muito 'vendedor'. Ou pior, cuidado para não parar nas prateleiras de Auto-ajuda das livrarias pensando que ainda está na sessão de Administração/Negócios! 

Buscar resenhas e referências bibliográficas sempre ajuda a tirar essa dúvida. Use e abuse!

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Sua Estratégia precisa de uma Estratégia - Martin Reeves

   

Título: Sua Estratégia precisa de uma Estratégia
Autor: Martin Reeves, Knut Haanaes & Janmejaya Sinha 
Tradução de: Your Strategy needs a Strategy
Editora: DVS 
Ano: 2015
Páginas: 296
ISBN/EAN: 9-788582-891100

Estratégia virou moda. 

No mundo dos negócios, tudo é Estratégico ou uma Estratégia. Muitas vezes, justamente porque uma organização não tem nenhuma Estratégia consistente, sai atirando para tudo quanto é lado, trocando objetivos com estratégia, desejos com diferenciação, fins por meios, etc. E o pior, muitas vezes definem objetivos ou caminhos contraditórios, antagônicos: "ser o maior do mercado" vs "ter a maior lucratividade por unidade", "dominar o mercado de massa" vs "diferenciar-se com uma proposta de valor premium" e coisas assim. Querem ser tudo, mas não propõe nada, nada consistente.




Em Sua Estratégia precisa de uma Estratégia, os autores - altos Executivos do Boston Consulting Group - propõe um método simples de diagnóstico de situação e cinco possíveis Estratégias decorrentes desse diagnóstico.


É um fato: nem toda Industria é igual. Cada Setor Econômico tem suas próprias características e dinâmicas. Muitos são os casos de insucesso de Executivos que se dão bem em uma Indústria, mas quando migram, falham, principalmente porque não compreendem corretamente o Ambiente Competitivo dessa nova Industria ou Setor e por consequência acabam adotando estratégias inadequadas, normalmente replicando estratégias usadas no seu Setor de origem. Isso é muito comum e frequente, porque é humano, é natural, tentar solucionar problemas similares com o que temos na memória, na caixa de ferramentas da experiência pessoal. A questão é que erramos no diagnóstico do Ambiente Competitivo com muita frequência.

Segundo os autores, são 3 características que determinam o Ambiente Competitivo de um Setor: Previsibilidade, Maleabilidade e Adversidade. A intensidade de cada um desses três fatores determina qual o tipo.

Portanto seriam 5 os Ambientes Competitivos e suas respectivas Estratégias:


1. Clássico - previsível e imutável
> Estratégia: seja grande
Muda pouco, se molda pouco. Portanto busque ser o maior aperfeiçoando-se cada vez mais. Como o ambiente muda pouco, você sabe quais os pontos críticos e essenciais para vencer. Busque ser o melhor nesses pontos, cada vez melhor. Como não deve mudar tão facilmente, o mercado naturalmente vai te fortalecer a posição se você der o que o mercado demanda. 
É o ambiente 'clássico' dos livros universitários. Usando tudo que se aprende nas escolas de negócios - 5 Forças de Porter, Oceano Azul, Matriz BCG, etc - a estratégia funciona.
Exemplos de setores/marcas clássicas: Petróleo, Bens de Consumo. P&G, Mars.

Mas infelizmente nem todo setor/indústria é clássico. Vejamos os demais tipos.

2. Visionário - previsível e mutável
> Estratégia: seja o primeiro
Muda pouco, mas se molda fácil. Uma coisa é certa: vai mudar. Portanto quem toma a iniciativa da mudança, leva muita vantagem.
Ex: Internet nas Nuvens. Logística para eCommerce. Amazon, FedEx.

3. Moldador - imprevisível e mutável
> Estratégia: seja o maestro
Muda, mas se molda fácil. Orquestre as mudanças, influencie o mercado para que as mudanças sejam no sentido que te dão vantagens. Se você já sabe que o ambiente sempre muda, tente influenciá-lo a mudar a seu favor, que passe a valorizar aspectos nos quais você é o mais forte.
Ex: Software em geral, Aplicações para Smartphones. Apple, Facebook.

4. Adaptador - imprevisível e imutável
> Estratégia: seja rápido
Muda, mas se molda pouco.  Não precisa ser o primeiro, porque o setor é muito imprevisível. Então a vantagem está em esperar muito atento: quando a mudança vier, seja rápido, entre na onda da mudança e tire vantagem o mais rápido possível. Mas não se acomode então, porque logo logo o ambiente muda de novo. Não se apaixone com a situação.
Ex: Semicondutores, Varejo Textil. Zara.

5. Renovador - adverso, mesmo mudando e surpreendendo.
> Estratégia: seja viável
Tudo é muito adverso. Independente da Previsibilidade ou da Flexibilidade, o Setor passa por dificuldades externas, macroeconômicas, circunstanciais. É um ambiente temporário. Passada a fase adversa, muda para um dos 4 ambientes anteriores. Nesse caso, apenas sobreviva, permaneça vivo, viável. Corte custos, mantenha a lucratividade, abra mão de clientes deficitários, por maiores que sejam.
Ex: Setor Bancário e Automobilístico após a última crise financeira.

O quadro abaixo, elaborado pelo BCG para a Harvard Business Review, ilustra como alguns dos principais Setores se encaixam na classificação: 




Até ai, tudo bem. Basta entender em qual tipo de ambiente o seu setor está e mandar ver na estratégia certa. Correto? Sim, mas... o maior problema é que a maioria das empresas e executivos não sabem em qual tipo de ambiente operam ou pior!, nem querem saber, pois estão 'programados' mentalmente para agir como se o mercado fosse Clássico, imutável. Daí começam seu plano estratégico pelo final, ou seja, primeiro impõe metas, depois se viram para achar um caminho. Tudo errado! O correto seria primeiro investigar em qual tipo de Ambiente o seu setor se encontra hoje (pois ele pode mudar de um para outro, ou simplesmente ficar Adverso), para dai escolher o estilo de estratégia e logo estabelecer metas.

Caminho errado
1) Estabelecer Metas
2) Analisar o Ambiente de Mercado atual
3) Identificar Obstáculos
4) Formular Estratégias para superar os Obstáculos

Caminho correto:
1) Identificar o Ambiente Competitivo atual
2) Identificar Obstáculos
3) Adotar a Estratégia Adequada ao Ambiente e Obstáculos específicos
4) Estabelecer Metas Plausíveis, ajustar a Estratégia

Ou seja, os autores defendem que, antes mesmo de você desenhar sua Estratégia para alcançar suas Metas, você deve entender qual a Estratégia adequada ao Ambiente atual do seu mercado. Daí você a adapta à suas Metas específicas. Sutil! Mas muito interessante.

Saiba mais pelo twitter do autor ou nesse vídeo de palestra (inglês).

Gostei muito do livro Sua Estratégia precisa de uma Estratégia!
Merece fazer parte de meus Recomendados sobre Estratégia. Confira a lista aqui.


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