Recesso...


Mais um ano se passou!

E tal qual ano passado, nosso blog vai ficar o mês de maio em recesso (férias!) para recarregar as baterias.

Retornamos no final de maio.

Enquanto isso, fique com um short-list dos post mais lidos esse ano por aqui:
Ruptura Global - Ram Charan
. Gente que Resolve - Dan & Chip Heath
. Remote - Jason Fried & David Hansson
. O Poder do Hábito - Charles Duhigg
. Jogando para Vencer - A.G. Lafley & Roger Martin

Até a volta! Abraços.

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Bill George: Liderança no séc.XXI

   

Professor de Harvard e experimentado Executivo, Bill George falou dos desafios de Liderança no séc.XXI no ExpoManagement.

Segundo George, os gestores americanos ficaram fascinados com as empresas chinesas na ascensão destas, mas poucas se tornaram globais. A exceção talvez seja a Lenovo. Isso porque as empresas chinesas ainda não se adaptaram à liderança moderna. E Liderança é a real causa-raiz do insucesso das Empresas, nas palavras de George.

Líderes não falham por falta de preparo técnico, de QI (inteligência), mas de Inteligência Emocional. Líderes não conhecem a si mesmos, e não admitem seus erros.

Eles precisam ter claro 3 conceitos/questões:
1. Qual o propósito da sua Liderança?
2. Como vai sustentar sua Liderança? Continuando seu desenvolvimento.
3. Como vai continuar crescendo? Seus próximos passos?

O séc.XXI será volátil, caótico, incerto e ambíguo. Isso demandará dos Líderes serem Visionários, Compreensivos, Claros e Adaptáveis.

O que garante o sucesso das Empresas, no final das contas, são seus Valores, que é um aspecto humano. A diversidade dos líderes da empresa devem refletir a diversidade cultural de seus clientes e colaboradores. Tome o exemplo da Unilever: "se 70% dos nossos negócios estarão nos mercados emergentes em 2020, então 70% dos nossos líderes devem vir de lá."

Inteligência Cognitiva --> Inteligência Emocional --> Inteligência Global

A Liderança Autêntica vem das crenças, valores e princípios mais profundos do Líder. Ele precisa ter visão global, autoconhecimento, curiosidade cultural, empatia, alinhamento, colaboração e integração.
Ninguém quer ser liderado por alguém muito rápido e que não liga para os outros. George aprendeu isso da pior forma: fazendo errado no início de sua carreira. Na ânsia de ascensão, ignorou as pessoas. Finalmente percebeu-se infeliz, recusou uma proposta de trabalho que não lhe traria felicidade pessoal, e aceitou outra que deixaria sua família mais feliz. Isso mudou sua vida e sua forma de encarar seu trabalho. Percebeu o quanto estava sendo um mal líder, sendo egoísta.

Muita gente joga o jogo da empresa, traindo seus princípios, sem buscar sua felicidade pessoal. Seus verdadeiros valores afloram quando está sob pressão. Buscar seus valores intrínsecos mais que os externos para nortear sua liderança. 

Segundo George, a principal pergunta a se responder é:
- Por que as pessoas deveriam segui-lo? Qual o seu verdadeiro propósito?

Busque a resposta não nos bajuladores, mas naqueles que dão o feedback honesto por mais ácido que seja (você sabe bem que são!).

A maioria dos conceitos explicados por Bill George estão em seu conhecido livro Autenticidade (2007). Vale conferir.

Confira a cobertura das demais palestras da ExpoManagement aqui.
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Ruptura Global - Ram Charan

   

Título: Ruptura Global
Autor: Ram Charan
Tradução de: Global Tilt
Editora: HSM
Ano: 2013
Páginas: 256
ISBN/EAN: 9-788565-482288


"Sua empresa faz negócios abaixo do Paralelo 31?

Não!? Pois deveria!

Essa é a principal conclusão e alerta do prof. Ram Charan em seu último livro, Ruptura Global (2013).
(imagem: wikipedia)
Segundo Charan, abaixo a linha de 31 graus de latitude norte está o mercado para onde a inovação e ruptura econômica se dirigem.


A primeira vez que ouvi essa afirmação e esse desenho, foi durante a ExpoManagement 2012, quando o prof. Charan, ainda durante a fase de escrever o livro, fez esse desenho manualmente e alertava o público de sua tese/descoberta. Não por acaso, abaixo do Paralelo 31, estão os BRICS, mas também México, Oriente Médio, África Subsaariana e Indonésia. Para simplificar, Charan os chama apenas de 'Sul', em contrapartida de 'Norte', onde estão EUA, Europa Ocidental e Japão, hoje centros do poder econômico mundial.
Segundo Charan, os Países do Sul estão em sua ampla ascensão, não apenas pelo custo da mão-de-obra e o fato de algumas companhias do Norte exitarem em expandirem seus negócios para o Sul pode ser-lhes muito custoso no futuro.

Obviamente que alguns fatores inicialmente impedem essas empresas de decidirem por passar a operar no Sul: infraestrutura ineficiente, instabilidade política, barreiras culturais, burocracia, etc., mas o fato é que a próxima grande onda de oportunidades de desenvolvimento econômico e de inovação estão começando a eclodir no chamado 'Sul' de Charan.

Ram Charan lembra-nos que esse tipo de receio não é novidade para a economia mundial: os Estados Unidos do séc.XIX também apresentavam condições adversas para as companhias Europeias, apesar de ser um mercado promissor, que décadas depois se mostrou compensador movido pela Revolução Industrial.

O mundo que vivemos hoje já absorveu os benefícios da Industrialização, e com a Revolução da Informação trazida pela internet, o mercado do Sul passa a ser o alvo da ruptura econômica. Muitas empresas globais se deram conta disso, não apenas passando a operar no Sul como mercado, mas também como centros de desenvolvimento. Um importante conceito vinculado a isso é o de Inovação Reversa, cunhada por outro professor indiano, Vijay Govindarajan. Vale conferir.


A segunda parte do livro se dedica a explorar como ter sucesso na Ruptura Global.

O prof. Charan estabelece 5 Fundamentos para nortear:

1. Dominar rapidamente o contexto local - querer operar localmente no Sul, apenas com práticas do Norte não resolve. É extremamente necessário entender o modo de vida, de trabalho e de consumo do Sul. Um ponto interessante que Charan nos lembra é que uma pessoa do Sul se adapta mais facilmente aos negócios do Norte, que vice-versa. Isso porque um executivo do Sul normalmente se forma estudando casos, práticas e teorias do Norte ou às vezes já até teve experiência de trabalho no Norte ou empresas com cultura muito forte do Norte. O caso inverso não é verdadeiro: poucos são os executivos do Norte com vivência e conhecimento profundo das nuances de se operar no Sul. Saber ouvir e valorizar o conhecimento local é essencial nesse processo. Tentar apressar as coisas é outro erro fatal. 

2. Criar uma Visão Tangível - e comunicável! Missão-Visão-Valores simplesmente copiados das paredes dos escritórios do Norte serve apenas para virar chacota entre os funcionários no Sul. Se não fizer sentido (não falo de idioma!) no contexto local do Sul, esqueça.

3. Desafiar seu Modo de ver as coisas - muito vinculado com o primeiro Fundamento. Esteja pronto a desafiar dogmas e processos usados no Norte. Resiliência e flexibilidade psicológica são essenciais. Consumidores, concorrentes e colaboradores agem de forma diferente no Sul, se comparados ao Norte. Acredite.

4. Construir uma Equipe - os líderes devem ser acima de tudo integradores e estabelecer confiança em um time de diferentes culturas e disciplinas. É um trabalho repetitivo mas importantíssimo.

5. Mobilizar uma Organização Social - energizar a equipe é fundamental. Garanta comunicação sem filtro em ambas direções; simplifique a tomada de decisão e a responsabilização; conheça o talento natural dos membros da equipe.

Alguns desses conceitos, o prof. Charan explora em suas palestras.

Além disso, Charan enumera as 10 Decisões do CEO para a Mudança Estratégica nesse contexto de Ruptura Global:

1. Quais Executivos e Equipes participarão da formação da Estratégia?

2. Qual é a nova Estratégia e seu Roteiro?



3. Que recursos Financeiros e Humanos precisam ser alocados no Sul?

4. Que novas Competências serão necessárias? (Charan repete muito esse conceito em suas palestras)

5. Como reconfigurar os resultados operacionais?

6. Como o teor das informações devem mudar?

7. Que decisões precisam ser tomadas? E onde?

8. Que mudanças organizacionais serão necessárias?

9. Quais KPIs (índices de performance) devem ser usados e quais abandonados?

10. Quais serão os meios e conteúdos de comunicação?

Mais um interessante ponto-de-vista do prof. Ram Charan que tanto tem contribuído para a compreensão de nosso mundo dos negócios tão em transformação. 

Vale a leitura!

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